Texto de abertura do III Sarau 1º de Maio
Sejam todos e todas bem vindos ao terceiro Sarau 1º de Maio do Coletivo Anarquista Bandeira Negra, integrante da Coordenação Anarquista Brasileira. Com muito amor e rebeldia, hoje vamos novamente lembrar, celebrar e refletir sobre essa data histórica e tão importante a todos trabalhadores e trabalhadoras do mundo.
Hoje completamos sete anos da retomada anarquista de fazer o 1º de maio uma data de combate e de manifestação artística das classes oprimidas. Este é o terceiro ano do Sarau. Neste curto período realizamos o diálogo com diferentes entidades e movimentos sociais, entendendo que é importante a troca de saberes e teorias entre as organizações políticas e os movimentos sociais. É claro que não com intuito de aparelhamento, mas de diálogo ético e respeitando a autonomia de cada força política e social.
Em 2015, o Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz foi o espaço de realização do Iº Sarau.
Viva o CDH!
Em 2016, o Espaço Cultural Casa Iririú foi o espaço de acontecimento do IIº Sarau.
Viva a Casa Iririú!
Agora, neste ano, estamos aqui, na AMORABI, entidade fundamental na construção da luta comunitária, uma referência nas possibilidades da militância nos bairros. Enquanto anarquistas, estamos aqui, de corações e mentes abertos para aprender/ensinando, como tão bem inspirou Paulo Freire, nome este que na prática da AMORABI se faz presente.
Viva a AMORABI!
Há 131 anos o 1° de Maio é uma data especial para a classe trabalhadora de todo o mundo. Um dia de luta, mas também de luto, reflexão e homenagem a todos aqueles que um dia sacrificaram suas vidas para a luta dos de baixo. Uma data que os de cima fizeram e fazem de tudo para esvaziar de seu significado original, apresentando-a enquanto “Dia do Trabalho”, uma espécie de dia para santificar patrões e governos que, investidos de boa vontade, nos “dão trabalho” e “alternativas de vida”.
O ano de 2017 marca 100 anos da Revolução Russa e da Greve Geral brasileira. Dois momentos fundamentais da luta popular contra os patrões, os governos e as diferentes formas de opressões. Em discussão, concluímos que a atual conjuntura brasileira, onde os nossos direitos duramente conquistados, ameaçam as migalhas que temos.
Em tempos de reformas da previdência, trabalhista e do ensino médio como obras dos governantes e dos patrões, torna-se urgente promover um encontro das nossas memórias silenciadas e escamoteadas pela classe dominante brasileira e internacional.
Costurar as nossas memórias dispersas em jornais, panfletos, fotografias e livros, muitos destas empoeiradas em arquivos, não é um ato de culto ao passado. O que você, companheira e companheiro, está prestes a interpretar é uma ação política: tomar de assalto os arquivos das lutas operárias de homens e mulheres de todas as idades, em diferentes cidades brasileiras, no começo do século XX, contra as longas jornadas de trabalho, os péssimos salários, assédio moral e sexual, condições torturantes de trabalho.
Em 2017, assim como nos últimos anos, temos acompanhado ações empresariais e governamentais de ataques aos nossos direitos trabalhistas, na educação pública e previdenciários. Não temos a ilusão de que o atual modelo e direitos ocorrem da maneira ideal. Afinal, ainda estamos sob a guarda da Polícia Militar que mais mata na América Latina, a mesma que atirou no povo sem terra acampado em Garuva, no último dia 22 de abril. Também sofremos com as dominações dos irmãos gêmeos, o Estado e o capitalismo. Nós, o conjunto da nossa classe, estamos atônitos frente aos golpes em nossos direitos. As direções sindicais estão enclausuradas em suas burocracias, o conjunto da esquerda institucional está ausente dos trabalhos de base, as diferentes dominações religiosas ocupam os espaços populares. A retomada da greve de 1917 serve como inspiração para repensar e fazer uma luta pela base em nossos locais de moradia, de trabalho, de lazer e de estudo.
Falar sobre as explorações que fazem os governos e patrões não é apenas um ideal, mas uma urgência. Os de cima estão tirando nossos direitos mínimos: aposentadoria, direitos trabalhistas, escola, saúde, transporte, terra, moradia. Ou seja, uma vida livre e digna. Nos organizar e lutar contra quem nos rouba e mata é agora, hoje, amanhã, todos os dias de nossas vidas. Até que os de baixo vençam, até que o poder popular esteja em prática.
Mas além da luta, a vida também é cultura, é vivência humana, é troca de ideias e experiências. E para isso, o terceiro Sarau 1º de Maio faz essa junção. Na programação haverá teatro, discussões, músicas, filme, livros, feiras e muita conversa para vermos que somos fortes e lutamos contra os de cima dessa cidade, esses de cima que desejam acabar com nós a todo momento.
O Coletivo Anarquista Bandeira Negra agradece muito ao bairro Itinga, bairro de luta, à Amorabi, espaço de luta e a todos e todas que vieram aos Sarau, pessoas de luta!
VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!
VIVA OS MÁRTIRES DE CHICAGO!
VIVA TODOS TRABALHADORES E TODAS TRABALHADORAS DO MUNDO!
Lutar, Criar, Poder Popular!